Custo de produção do milho no Mato Grosso sobe 14,61% e supera receita na safra 2026/27
No mercado, preço do cereal recua no estado, enquanto Conab projeta aumento da área cultivada e da produção nacional
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Foto: Andrew Swarga/Pexels
O Custo Operacional Efetivo (COE) do milho em Mato Grosso foi estimado em R$ 5.508,23 por hectare na safra 2026/27, alta de 14,61% em relação ao ciclo anterior. Os dados são do Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA-MT), levantamento produzido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Senar-MT e divulgado nesta segunda-feira (19).Na comparação mensal, o indicador avançou 0,01%, pressionado pelo encarecimento de insumos, despesas financeiras e custos de pós-produção.Com preço médio de R$ 48,69por saca em setembro e produtividade estimada em 119,64 sacas por hectare, a receita bruta projetada é de R$ 5.824,88 por hectare, queda anual de 1,46%.Embora permaneça 5,75% acima do COE, a receita não cobre o Custo Operacional Total (COT), que inclui depreciações e pró-labore e foi calculado em R$ 6.070,09 por hectare, valor 4,04% superior à receita.O cenário indica maior pressão sobre a rentabilidade, especialmente diante de eventuais perdas de produtividade ou queda nos preços.No mercado mato-grossense, o preço médio do milho recuou 2,60% em relação à semana anterior, para R$ 46,50 por saca, em meio à menor atratividade das negociações e à pressão das cotações externas.Para a safra brasileira de 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta área plantada de 23,70 milhões de hectares, expansão de 4,89% ante o ciclo anterior.A estimativa considera também o crescimento de 6,60% do consumo doméstico, impulsionado principalmente pela ampliação das indústrias de etanol de milho, fator que tende a sustentar a demanda pelo cereal.Apesar do aumento da área, a produtividade nacional está estimada em 104,07 sacas por hectare, recuo de 2,34% na comparação anual.A possível influência do El Niño é um dos fatores de atenção para o desenvolvimento das lavouras, com riscos associados à irregularidade das chuvas no Centro-Oeste e ao excesso de precipitação no Sul.